Oficina de Gaia Guia simplificado e informativo. Não substitui o texto oficial.

A nova regra da Anvisa, traduzida pra quem está na bancada

Sabonete, vela, manteiga, sais de banho.O que entra, o que fica fora, o que vai no rótulo e o que você pode dizer.

Tudo conferido na regra aprovada.Em português simples pra todo mundo entender.

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Em que pé está a regra

  1. 30/09/2026 · Aprovada

    A Anvisa aprovou a regra dos cosméticos artesanais.

  2. Agora · Falta sair no Diário Oficial

    O texto final ainda vai ser publicado. Só aí ganha número e data.

  3. 60 dias depois da publicação · Começa a valer

    A contagem só começa no dia em que a regra sair no Diário Oficial.

Quando começa a valer, exatamente?

A regra diz: "entra em vigor 60 dias após a data de sua publicação".

É uma data fixa, não "até 60 dias".
Não começa antes, e não depende de cada cidade.

Ainda não dá pra cravar o dia, porque a regra ainda não foi publicada.
Se sair na metade de outubro, começa a valer na metade de dezembro.

E o meu estoque de Natal?

A regra aprovada não traz prazo de transição nem fala de estoque.

Então, na prática:

Importante: este guia foi feito a partir do texto aprovado na reunião da Anvisa (a ). Se o texto publicado trouxer alguma mudança, este guia é atualizado.

O que muda, em uma frase

Quem faz cosmético artesanal dentro da regra não precisa de registro, nem de notificação, nem de na Anvisa.

Em troca, você assume três compromissos:

A responsabilidade pelo produto é sua, do começo ao fim.

O que entra e o que fica fora

Entra Fica fora

Por que esses ficaram fora?

Água.

Sabonete líquido, gel, espuma, creme e loção têm muita água. Produto com muita água tem mais risco de contaminação, porque é na água que os microrganismos crescem. É a própria Anvisa que dá essa explicação na lista.

E o desodorante roll-on? A lista incluiu só o desodorante em barra.

Eles não foram proibidos.
Só não entram no caminho artesanal simplificado.

Entenda as palavras:

Três limites que valem pra todos

A regra artesanal não vale pra produto:

E a base pronta?

Pode.

A lista fala, com todas as letras, em sabonete em barra feito "por saponificação ou pela utilização de base pronta".

O que a regra pede é que exista transformação: você derrete, mistura, aromatiza, colore, molda. Isso é produção artesanal.

O que não vale é comprar um sabonete pronto e só trocar a etiqueta.

Fonte: , anexo, grupo 4 · , art. 5º, parágrafo único.

A dúvida mais importante

Posso continuar chamando meu sabonete de fitoterápico? E de terapêutico?

A resposta direta: no rótulo, no nome e na descrição do produto, não.

E a planta continua no seu sabonete do mesmo jeito.

"Terapêutico"

Está escrito, com todas as letras, na lista do que o sabonete artesanal não pode dizer.
Na vela e nos sais de banho, a lista proíbe "ação terapêutica".

"Fitoterápico"

A palavra não aparece escrita na lista. Mas a regra proíbe qualquer apelo terapêutico.

E pra Anvisa, "fitoterápico" não é um jeito bonito de dizer "feito com plantas".
É o nome de um tipo de remédio: produto de planta pra prevenir, tratar ou aliviar alguma coisa.
E remédio precisa de registro, com estudo que prove que ele trata.

O sabonete artesanal foi pelo caminho contrário: ficou livre do registro.
Em troca, não pode prometer tratamento.

Fito + terapêutico.
A palavra já carrega a promessa.

A mesma lógica vale pra

  • aromaterapêutico
  • medicinal
  • cicatrizante, anti-inflamatório, antiacne
  • calmante, relaxante, "pra ansiedade", "pra insônia"
  • detox

O que você pode dizer

  • O nome da planta: "Sabonete de calêndula", "com alecrim", "com ervas", "com extrato de camomila".
  • O que o produto faz pela lista: limpa, higieniza, perfuma.
  • O que a pessoa sente: o aroma, a cor, a espuma, a textura, o ritual do banho.
  • Que é feito à mão: "PRODUTO ARTESANAL" já vai no rótulo.

"Sabonete fitoterápico de calêndula"

"Sabonete de calêndula com óleo de girassol"

"Sabonete terapêutico antiacne de melaleuca"

"Sabonete de melaleuca e argila verde. Limpa e perfuma."

E o que eu aprendi sobre as plantas?

Continua valendo. Todo ele.

É esse conhecimento que te faz escolher a planta certa, combinar aromas, cores e texturas, e criar um sabonete que ninguém mais faz igual.

O que muda é onde ele aparece:
na sua escolha, não na sua promessa.

Isso não é novidade da regra artesanal: cosmético nunca pôde prometer tratamento. A regra nova só deixou escrito, produto por produto.Fonte: , anexo, coluna "alegações não permitidas" · , art. 5º, V, e art. 20, § 1º · RDC 26/2014 (definição de fitoterápico).

E as velas?

Entram. Estão no grupo dos odorizantes de ambiente, junto com sachês, difusores e sprays.

Repara no nome do grupo: odorizante de ambiente.
A vela artesanal serve pra perfumar o espaço. Ela não é produto pra pele.

Pode dizer

  • Perfuma o ambiente
  • Confere aroma agradável
  • Mascara odores

Não pode dizer

  • Ação terapêutica
  • Purifica o ar
  • Elimina bactérias
  • Repele insetos

Por isso o rótulo da vela traz o aviso "Não aplicar sobre a pele".

E a vela de massagem, que derrete pra passar no corpo, não cabe nesse grupo.

As 5 regras da bancada

  1. 1. Validade de até 12 meses

    É o teto, não a meta. Se o seu sabonete dura 6 meses, o rótulo diz 6.

  2. 2. Bancada limpa e organizada

    Higiene de quem produz, do espaço e dos utensílios. Limpeza antes e depois de produzir. Touca no cabelo, sem anel, pulseira ou relógio. E saber de onde veio cada ingrediente e quando cada produto foi feito.

  3. 3. Rótulo transparente

    "PRODUTO ARTESANAL", seus dados de contato, a lista de ingredientes, a data de fabricação e a validade. (O rótulo completo está logo abaixo.)

  4. 4. Promessa simples

    Limpar, perfumar, hidratar. Nada de cura, tratamento ou efeito que precise de teste pra provar.

  5. 5. Formação contínua

    A regra pede que quem produz esteja capacitada e siga se atualizando, incluindo as boas práticas de fabricação.

Dois detalhes que pegam muita gente

  • Utensílio de madeira está proibido na produção. Colher de pau, tábua, espátula de madeira: troca por inox, silicone ou vidro.
  • Insumo fica na embalagem original, com o rótulo do fabricante inteiro e dentro da validade.

Entenda a palavra:

O rótulo, peça por peça

Exemplo: Sabonete de Calêndula e Lavanda

Rótulo de exemplo do Sabonete de Calêndula e Lavanda Desenho de um rótulo com nove partes numeradas: nome, marca, quem fez e contato, ingredientes, fabricação e validade, endereço de produção, peso, avisos obrigatórios e a frase produto artesanal. A legenda numerada está logo abaixo. ATELIÊ EXEMPLO Sabonete de Calêndula e Lavanda PRODUTO ARTESANAL Ingredientes: Fab. 10/2026 · Val. 04/2027 Peso: 90 g Uso externo. Em caso de irritação, suspenda o uso... Feito por: seu nome · telefone · @rede Licença sanitária (se tiver) Produzido em: Rua Exemplo, 00 · Cidade/UF 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Os números do desenho batem com a lista abaixo.
  1. Nome do produto · Sabonete de Calêndula e Lavanda
  2. Marca (se tiver) · Ateliê Exemplo
  3. Quem fez e como falar com você · nome, telefone, e-mail ou rede social, e a licença sanitária, se tiver
  4. Lista de ingredientes · todos os ingredientes, por nome
  5. Data de fabricação e validade · Fab. 10/2026 · Val. 04/2027
  6. Endereço de produção
  7. Peso · 90 g
  8. Avisos obrigatórios (no sabonete):"Uso externo. Em caso de irritação, suspenda o uso. Se os sintomas persistirem, procure orientação médica. Não aplicar sobre a pele irritada ou lesionada. Evite contato com os olhos e mucosas. Em caso de contato, lave com água em abundância. Não usar em bebês, crianças, gestantes e idosos."
  9. PRODUTO ARTESANAL

Cada grupo tem os seus avisos. Os da vela, por exemplo, falam em "odorização de ambientes" e "manter fora do alcance de crianças e animais".

Fonte: RDC, art. 20 · IN, anexo, coluna de advertências.

Antes e depois: a planta continua

A planta continua no seu produto.
O que mudou foi o que você promete.

Sabonete

"Sabonete de calêndula cicatrizante e antiacne"

"Sabonete de calêndula. Limpa com suavidade e deixa um perfume leve de flor."

Barra de xampu

"Barra de alecrim antiqueda, que fortalece os fios"

"Barra de xampu com alecrim. Limpa, desembaraça e realça o brilho."

Manteiga

"Manteiga firmadora contra estrias"

"Manteiga de cacau e karité. Deixa a pele macia e perfumada."

Vela

"Vela de lavanda que acalma e purifica o ar"

"Vela de lavanda. Perfuma a casa com um aroma floral e suave."

Sais de banho

"Sais detox que aliviam as dores musculares"

"Sais de banho com alecrim e lavanda. Perfumam e colorem a água do seu banho."

O nome também comunica.

"Sabonete Terapêutico de Arnica" promete pelo nome.
"Sabonete de Arnica e Lavanda" só descreve.

A cor da calêndula. O perfume da lavanda. A espuma, o ritual do banho.
Quem sente o produto não precisa que você prometa nada.

Onde pode vender

A regra pede venda direta: você, ou alguém da sua família ou equipe em seu nome, falando direto com quem compra.

Contam como venda direta:

Deixar seu produto pra outra loja revender não aparece na lista.

Ainda em aberto

Algumas coisas a regra aprovada não deixa claras. Estou esperando o texto publicado pra responder com certeza:

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Glossário
Anidro
Sem água. Óleo, manteiga, sabonete em barra e sais de banho são exemplos. É por não ter água que eles entram na regra artesanal.
Emulsão
Mistura de água com óleo que fica cremosa, como creme e loção. Por ter água, fica fora da regra artesanal.
Rastreabilidade
Conseguir responder: de onde veio cada ingrediente e quando cada produto foi feito. Se uma cliente reclamar, você sabe exatamente qual lote foi.
AFE
Autorização de Funcionamento de Empresa. Licença da Anvisa exigida das fábricas de cosméticos. O produtor artesanal dentro da regra não precisa.
Minuta
O texto proposto e votado, antes de ser publicado. A versão publicada no Diário Oficial é a que vale.
RDC
Resolução da Diretoria Colegiada. É a norma principal da Anvisa: diz quem é produtor artesanal, as boas práticas, o rótulo e onde vender.
IN
Instrução Normativa. Norma complementar que traz a lista: quais produtos podem ser artesanais, o que cada um pode dizer e os avisos de cada rótulo.